SAIBA

 

A primeira experiência como cantora se materializou no histórico Theatro Carlos Gomes, em Vitória/ES, sua cidade natal, quando abriu com seu duo Suellen Vasconcelos o show do já ídolo Paulinho Moska pelo Projeto Seis e Meia, da Caju Produções. Os primeiros passos na carreira de Joana indicariam suas inclinações artísticas, sobretudo como compositora, ofício que desenvolvia em rascunhos desde a adolescência. 

 

A trajetória até este episódio foi marcada a princípio pelo desenvolvimento enquanto instrumentista, aprendido de forma autodidata. Tocou guitarra, baixo e bateria em bandas formadas até o fim do ensino médio, com destaque para a banda Três, na qual assumia além da bateria, os backing vocals, em uma formação ainda atípica para bandas de pop rock do início dos anos 2000: três mulheres (bateria, baixo e guitarra) e um homem no vocal/violão.

 

Quando Joana decidiu voltar-se para a música de forma profissional, logo após sua graduação em Artes Plásticas, escolheu uma amostra de canções para integrar seu primeiro trabalho autoral, o EP “ENTRE” (2016). Com produção musical de Marcos Xuxa Levy, o EP conta com a participação dos músicos que integraram a banda base de Cássia Eller: Fernando Nunes, João Viana e Walter Villaça, além de renomados músicos do cenário brasileiro como João Erbetta (Marcelo Jeneci, Siba, Clarice Falcão) e Milton Guedes (Lulu Santos, Sandy&Jr., Roupa Nova).

Seu trabalho integra de forma particular as artes plásticas e a música, a partir da palavra e das obras centradas na auto-biografia. Artistas como Adriana Calcanhotto, Nuno Ramos, Clarice Lispector e Frida Khalo são alguns exemplos de inspiração.

 

Esse olhar trouxe o desejo de realizar, para além da música, o desenvolvimento da expressão audiovisual por meio de quatro clipes, realizados em parceria com a produtora Filmes Fritos, através do FUNCULTURA (Secult/ES).

 

Mais do que uma junção aleatória de palavras e sons, Joana busca intrigar o ouvinte em jogos de palavras e melodias que podem fugir ao óbvio, trazendo frescor, invocando sentimentos e reflexões necessários à compreensão do mundo que vivemos. Trata o processo de composição com atenção e fala sob a perspectiva feminina de assuntos como amor, sexo e questões existenciais.

 

Em junho de 2017 fez lançamento digital do single “AQUI” nas plataformas de streaming, conseguindo amplo destaque no Spotify e Palco MP3. A canção, que foi gravada despretensiosamente numa visita da cantora ao produtor e também multi-instrumentista Raphael Mancini no seu estúdio em São Paulo, já obteve mais de 1 milhão de plays. 

 

Os singles “O Mal Vai Morrer de Alegria” (maio/2019), “Última Música” (dez./2019) e o mais recente “Presa” (2020) abrem uma nova fase estética da artista, que traz ao público sua vertente produtora e abarca timbres mais eletrônicos.

 

Os ventos da mudança, para além da canção, vieram arrebatadores: trouxeram Joana de Brasília (onde ficou por dois anos) para a capital mineira, Belo Horizonte; sedimentaram a “nova” política no Brasil, que colocou (e coloca) em cheque direitos básicos, coagindo minorias sociais; apontaram o país para um futuro antidemocrático, antiecológico, anti-humanista, que ainda parece surreal demais, ainda que esteja constantemente corroborado pelo noticiário.

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