JB NA MÍDIA

“Quando canta, Joana Bentes parece abrir uma porta. Seu novo trabalho: “Entre” não é necessariamente um convite, mas pode ser. O nome sugere um intervalo, um caminho de uma coisa a outra, como ela mesma diz. O EP produzido por Marcos Xuxa Levy apresenta cinco faixas com composições próprias da cantora e participação de músicos talentosos como Fernando Nunes, João Viana, Walter Villaça e Milton Guedes. O primeiro trabalho da artista capixaba, radicada em Brasília, não deixa dúvidas quanto ao potencial sonoro que a obra possui.

 

Talvez seja melhor aceitar o convite para escutar ‘Entre’ sem se perder em significados da palavra em si. Joana usa as próprias sensações para falar e fazer música. “As palavras vão se encadeando de forma a trazer a melodia e ritmo com elas. Sinto muita conexão com as palavras”. Conexão essa que possibilitou a criação desse projeto. 

 

Pela vontade de registrar as composições, a maioria das músicas foi surgindo de uma vez só, no final de 2014. A artista conta que sente influência de atmosferas diferentes, tanto litoral, quando montanha, cidades com aspectos particulares. Entre uma ida e outra para São Paulo, nasceu “Instante”, primeira faixa do EP. 

 

A música “Entre” ganhou um videoclipe, lançado em novembro desse ano. Com a suavidade e delicadeza tanto nas cenas quanto nos arranjos, é possível enxergar essa linha entre a letra e as imagens, da própria cantora, que se completam em cena. “O vídeo acabou possibilitando explorar a música de outra forma, mais sensorial.  Pensar a relação como algo que se percebe nos detalhes”, explica a cantora.

 

É nesse universo intimista, que pode falar para milhares de pessoas, ou quantas couberem na sala, que Joana entrega a doçura de sua voz para quem souber aproveitar esse momento. Por essa possibilidade, a melhor coisa a fazer é entrar de vez nesse espaço e se deixar levar pela linha que percorre todas as faixas do EP. A preocupação é uma só, e simples: é sempre mais difícil escolher uma música preferida dentro desse caminho quando todas se mostram tão belas.”

 

(Texto exclusivo ‘Joana Bentes e seu primeiro EP “Entre”’, por Mariana Borba em 07 de nov. de 2016. Mariana Borba é jornalista, escreve para o blog https://musicapave.com)

“Em um cenário onde tudo parece já ter sido feito, a produção musical tornou-se mecânica. Os músicos superam os limites da técnica vocal e instrumental fazendo com que a figura do compositor seja peça-chave para a afirmação da identidade. O autor, portanto, torna-se consciente do seu papel em escrever a história e, para tal, busca um direcionamento estético. Porém, o esforço em seguir uma tendência é um vício perigoso da produção artística autoral no século XXI. Na intenção de apresentar um trabalho memorável, a composição musical também tornou-se automatizada. O que vai marcar a diferença, a meu ver, está na despretensão. 

    

O EP “ENTRE”, da cantora, multi-instrumentista e compositora Joana Bentes, destaca-se neste sentido. A despretensão descarrega o peso do heroísmo deixando prevalecer a inspiração. Provavelmente esteja neste ponto a grande beleza das cinco canções que compõem o “minidisco”. A capacidade técnica é indiscutível. Estão presentes todos os artefatos indispensáveis para o nascimento de uma “estrela”. Contudo, acredito estarmos diante de um trabalho que dialoga com o momento em que vivemos e dá um passo à frente extremamente necessário. Ao saber dosar o seu “dom” apenas para mostrar o que a inspira, Joana promove este EP em um projeto primoroso. É cada vez mais difícil descobrir uma saída dentro da imensidão de melodias, harmonias e palavras que já foram tantas vezes repetidas mas ela consegue mostrar que o segredo é priorizar o sentimento. E assim, sobra tempo para a história ser história.”

 

(Publicado no texto “A grande beleza da despretensão”, por Carlos Cavallini, no Jornal A Gazeta de 19 de dez. de 2016. Carlos Cavallini nasceu em Vitória. Atualmente, vive em Lisboa onde se dedica ao estudo da Etnomusicologia como bolsista de Doutorado através da Fundação pela Ciência e Tecnologia (FCT). Seu objeto de estudo centra-se no caso da Nova MPB no discurso dos profissionais da indústria fonográfica e da mídia em Portugal.)

 

“Joana é artista das palavras, texturas, cores e sons. Em seu canto, evidencia e explora todas as possibilidades de enaltecer o que vibra, brota e toca fundo. Canta a potência do ser e os seus desdobramentos ─ o inaudito, a fruição do instante, o que é/será. A natureza e o cotidiano com todos os seus arranjos, suavidade e graça estão presentes nessa música movente, que representa de forma sublime todos os fascínios da poesia.”

 

(Publicado no site: http://obviousmag.org/ceu_nos_olhos_fuligens_das_nuvens/2016/a-fruicao-do-instante-na-musica-de-joana-bentes.html A fruição do instante na música de Joana Bentes, por Ester Chaves, em 24 de nov. de 2016. Ester Chaves é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas.)

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